No Dia Mundial da Saúde Bucal, especialistas alertam que
cáries, infecções e até doenças sistêmicas podem estar relacionadas à falta de
acompanhamento odontológico.
Cuidar da saúde bucal vai muito além da estética do sorriso,
pois a falta de cuidados com os dentes pode não apenas indicar, mas também
desencadear doenças mais graves em outras partes do corpo, como problemas
cardiovasculares, complicações respiratórias e descontrole de doenças crônicas.
Dados do Conselho Federal de Odontologia (CFO) apontam que 32% dos brasileiros
não foram ao dentista em 2025. Esse cenário, aliado ao Dia Mundial da Saúde
Bucal, celebrado em 20 de março, reforça a importância da prevenção e das
visitas regulares ao dentista para evitar complicações.
Entre as consequências dessa ausência de acompanhamento está
o surgimento da cárie, considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) o
segundo problema de saúde mais prevalente no mundo. Estima-se que entre 60% e
90% das crianças em idade escolar tenham a doença.
Além da cárie, a falta de higiene bucal adequada pode
provocar gengivite e periodontite, doenças inflamatórias que afetam a gengiva e
os ossos de sustentação dos dentes. Quando não tratadas, essas infecções podem
liberar bactérias na corrente sanguínea, aumentando o risco de doenças
cardíacas, como infarto e endocardite, além de estarem associadas a
complicações respiratórias, como pneumonia, especialmente em idosos.
“A cavidade oral está diretamente ligada ao restante do
organismo. Infecções na gengiva podem liberar bactérias e substâncias
inflamatórias na corrente sanguínea, o que pode impactar órgãos como o coração
e os pulmões”, explica a dentista Ilana Marques, da IGM Odontologia para
Família.
Também há relação entre a saúde bucal e o controle do
diabetes, já que infecções na boca podem dificultar o controle da glicemia. Em
gestantes, problemas bucais estão associados a maior risco de parto prematuro e
baixo peso do bebê. Outro ponto de atenção é o câncer de boca, que pode ser
favorecido por fatores como má higiene, tabagismo e consumo excessivo de
álcool, e que muitas vezes é diagnosticado tardiamente.
“Muita gente só procura o dentista quando sente dor, mas o
ideal é agir antes disso. Sangramento na gengiva, mau hálito persistente e
feridas que não cicatrizam são sinais de alerta e não devem ser ignorados”,
alerta Ilana Marques.
Segundo a especialista, a prevenção ainda é o caminho mais
eficaz. “Consultas regulares permitem identificar problemas no início e evitar
tratamentos mais complexos. Além disso, a orientação sobre higiene correta
reduz significativamente os riscos de doenças bucais e sistêmicas”, afirma.
Para manter a saúde bucal em dia, os especialistas
recomendam escovar os dentes após as refeições, utilizar fio dental
diariamente, reduzir o consumo de doces e priorizar uma alimentação
equilibrada, além de realizar consultas regulares com o dentista. Esses
cuidados simples podem prevenir doenças, preservar o sorriso e contribuir para
a saúde do organismo como um todo.

