IA passa a orientar estratégias de segurança e logística em eventos de grande porte


 


Da multidão em shows internacionais aos blocos de Carnaval, análise de dados permite prever fluxos e antecipar riscos

 

 

O cantor porto riquenho, Bad Bunny, estreou no Brasil na última sexta-feira (20) e concentrou fãs de todos os estados e até de outros países no Allianz Parque, zona oeste de São Paulo. A apresentação chamou a atenção não só pelo espetáculo musical, mas pela dimensão do público. Com duas apresentações, os ingressos esgotaram rapidamente e filas se formaram horas antes da abertura dos portões.

 

 

Esse tipo de mobilização segue um padrão típico de megashows e evidencia desafios recorrentes, como alta demanda simultânea, circulação internacional de público e pressão sobre a infraestrutura urbana. Quem não lembra das discussões em torno da turnê da Taylor Swift por conta da falta de preparo adequado considerando a quantidade de fãs presentes?

 

 

Cenários assim mostram por que é importante ter tecnologias que monitorem fluxos em tempo real, principalmente quando há grande concentração de público. É nesse contexto que a inteligência artificial ganha espaço, ao permitir análises mais precisas e apoiar a segurança e a organização de eventos de grande porte.

 

 

Pesquisa sobre consumo e uso de IA no Brasil mostra que 82% dos brasileiros já ouviram falar no tema e 54% dizem entender o conceito. Mesmo entre os que afirmam não compreender totalmente a tecnologia, o uso já é realidade: 93% utilizam alguma ferramenta baseada em inteligência artificial e 75% reconhecem que ela faz parte do cotidiano. Esse cenário indica que a IA deixou de ser tendência futura para se tornar infraestrutura ativa com potencial direto para reforçar a segurança, a organização e a gestão de multidões em eventos de grande porte, como megashows internacionais ou até mesmo o próprio Carnaval.

 

 

Sendo a principal festa popular brasileira, os bloquinhos arrastam multidões todos os anos e exigem planejamentos cada vez mais precisos, tarefa na qual tecnologias baseadas em inteligência artificial podem auxiliar. Especialistas da Dataplai, empresa focada em desenvolver IAs personalizadas, destacam que soluções já permitem cruzar imagens, dados de mobilidade e monitoramento em tempo real para estimar fluxos, prever picos e identificar riscos antes que ocorram.

 

 

Segundo Bruna Mulinari, fundadora da empresa, o diferencial está na análise estratégica. “O uso inteligente de dados permite que governos estaduais e municipais não apenas acompanhem multidões, mas antecipem comportamentos e a tomada de decisões preventivas. Isso tem impacto direto na segurança pública e na eficiência das operações”, afirma.

 

 

Além dessas aplicações, a inteligência artificial também já é utilizada de forma integrada em operações urbanas de grande porte. Sistemas combinados de visão computacional, sensores e análise preditiva permitem monitorar a densidade de multidões em tempo real, identificando rapidamente áreas com risco de superlotação e orientando ações preventivas das equipes de segurança.

 

 

No trânsito, algoritmos ajustam automaticamente tempos de semáforos e sugerem rotas alternativas para motoristas e serviços públicos, reduzindo congestionamentos em torno dos eventos. Já na área de segurança, ferramentas capazes de detectar comportamentos atípicos ou padrões suspeitos contribuem para respostas mais rápidas e estratégicas, ampliando a capacidade de prevenção e gestão de crises.

 

 

Na prática, a tecnologia possibilita simulações que projetam diferentes cenários, desde variações inesperadas de público até mudanças climáticas repentinas. Com isso, é possível orientar ajustes logísticos, posicionamento de equipes e planejamento de rotas de emergência.

 

 

Eventos de grande porte tornam-se, assim, um ponto de partida para testar estratégias e tecnologias que podem contribuir para a construção de uma segurança pública mais eficiente. As soluções testadas nesses contextos podem ser aplicadas posteriormente em desafios permanentes das cidades, como mobilidade, organização de grandes públicos e planejamento de infraestrutura.

 

Foto:  Iris Alves/Live Nation

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