Dados da Abrasel indicam um cenário de alta movimentação no setor. Um levantamento da entidade mostra que 69% dos estabelecimentos esperam faturar mais no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025. Em relação ao último trimestre deste ano, 56% também projetam crescimento. Esse aumento no fluxo de clientes, embora positivo para o mercado, amplia a complexidade do atendimento a públicos com necessidades alimentares específicas.
Alta temporada intensifica riscos e expectativas
Segundo Luara Balbi, fundadora da Inclua e especialista em inclusão alimentar, as férias carregam um componente emocional que potencializa tanto as boas quanto as más experiências de quem convive com restrições alimentares. “No dia a dia, se algo dá errado, o impacto fica restrito à rotina. Nas férias, quando há planejamento, investimento e expectativa, qualquer falha pode desestruturar completamente a experiência”, explica.
Para esse público, a alimentação cotidiana costuma ser bem organizada. Já nas férias, surge a necessidade de pesquisa prévia, análise detalhada de cardápios e busca por informações confiáveis sobre ingredientes, preparo e risco de contaminação cruzada. Quando esse cuidado é correspondido, a percepção do consumidor tende a ser positiva e duradoura.
Comunicação clara fortalece confiança e fidelização
De acordo com Luara, experiências bem-sucedidas durante as férias criam memória afetiva, geram recomendações espontâneas e fortalecem a fidelização. Por outro lado, falhas nesse contexto deixam marcas profundas. “Além do impacto direto na saúde, a frustração fica registrada e pode afastar o cliente para sempre”, afirma.
Nesse sentido, estratégias claras de comunicação fazem diferença. Informações objetivas em sites, redes sociais e no atendimento de reservas ajudam o consumidor a planejar a visita com mais segurança, reduzindo inseguranças e evitando situações de risco. Transparência sobre ingredientes, processos e limitações do serviço é parte essencial desse cuidado.
Um desafio que nem sempre é visível
Para quem não convive diretamente com restrições alimentares, essa complexidade nem sempre é percebida. A estudante Lívia Giudice relata que só passou a entender melhor essas dificuldades ao conviver com familiares que possuem intolerâncias. “Para quem não tem restrições alimentares, comer fora é algo simples. Para quem tem, envolve pesquisa, atenção redobrada e preocupação constante”, conta.
Durante um período de férias, ela acompanhou uma parente com doença celíaca em um restaurante renomado. Um detalhe aparentemente pequeno — o uso de shoyu com glúten — foi suficiente para gerar insegurança e tensão até o fim do dia. O episódio ilustra como falhas pontuais podem comprometer toda a experiência, especialmente em momentos que deveriam ser de descanso e prazer.
Segurança alimentar como parte da experiência
Em períodos de alta temporada, a atenção às restrições alimentares deixa de ser um diferencial e passa a integrar a qualidade do serviço. Para bares e restaurantes, compreender esse cenário é também uma forma de ampliar o alcance do negócio, construir relações de confiança e oferecer experiências mais inclusivas. Para o consumidor, significa a possibilidade de viver as férias com mais tranquilidade, sem abrir mão do cuidado com a saúde. Confira o conteúdo da AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DA ABRASEL.



