Mesmo sendo mais barata, limpa e acessível, a modalidade de
geração compartilhada de energia ainda possui baixa presença nas decisões
estratégicas do setor elétrico nacional.
Apesar da crescente preocupação com os impactos ambientais e
do aumento no custo da energia elétrica para o consumidor final, o Brasil
continua incorporando fontes térmicas à sua matriz, sobretudo para garantir
segurança e estabilidade do sistema. Em 2025, o país adicionou 15 novas
termelétricas à sua matriz energética, somando mais de 2,5 GW de potência
baseada em combustíveis fósseis — uma expansão que ocorre paralelamente ao
avanço de alternativas mais sustentáveis, como a Geração Distribuída (GD), que
tem apresentado forte crescimento, mas ainda com participação tímida nas
políticas estruturantes do setor.
A GD permite que consumidores empresariais e residenciais,
acessem energia limpa por meio de sistemas próprios ou cooperativas, recebendo
créditos diretamente na conta de luz. Embora apresente vantagens econômicas e
ambientais comprovadas, a modalidade ainda carece de maior protagonismo nos
planejamentos oficiais de expansão de oferta no país.
Para especialistas do setor, o foco excessivo em soluções
emergenciais, como as termelétricas, acaba reduzindo o espaço para a
consolidação de soluções estruturantes como a GD. “A Geração Distribuída não
deveria ser vista como tendência, mas como componente estratégico do sistema.
Ela contribui com a redução de emissões de CO2, descentraliza a geração e
proporciona economia direta ao cliente final”, afirma Bruno Marques, Diretor
Comercial da Nex Energy, empresa que atua na gestão de usinas de energia limpa.
Em 2025, a Geração Distribuída encerrou o ano com 43,5 GW de
potência instalada, atendendo mais de 21 milhões de unidades consumidoras no
Brasil. Para 2026, a previsão da Associação Brasileira de Geração Distribuída
(ABGD) é que o segmento ultrapasse os 50 GW — um sinal claro de maturação do
mercado, que avança mesmo diante de desafios regulatórios e da necessidade de
maior divulgação de seus benefícios junto ao público.
“Já está comprovada a viabilidade técnica e econômica da
Geração Compartilhada. O que falta agora é maior visibilidade institucional e
alinhamento com as diretrizes de longo prazo da política energética nacional”,
considera Marques.
Nos últimos meses, debates no Congresso sobre mudanças no
marco regulatório da energia evidenciam a relevância do tema. A rejeição de
propostas que criariam cobranças adicionais sobre projetos de geração
distribuída foi considerada uma vitória importante para a previsibilidade e
viabilidade do modelo. Ainda assim, o cenário legislativo permanece dinâmico, o
que reforça a importância de consolidar a GD como um instrumento de política
energética e de engajamento social.



